Artigo Teológico Joseval Oliveira

Predestinação e Presciência: As pessoas são predestinadas ao céu ou ao inferno?

O termo predestinação é uma tradução da palavra grega proorizo, que aparece seis vezes no Novo Testamento (At 4. 28; Rm 8. 29-30; 1Co 2.7; Ef 1.5,11). Em alguns casos, refere-se à preordenação divina de todos os acontecimentos da história mundial (At 4. 28; 1Co 2. 7). Em outros, refere-se à decisão de Deus, tomada antes de o mundo vir a existir, com respeito ao destino final de pecadores individuais — mais especificamente, daqueles que foram escolhidos para a salvação e vida eterna (Rm 8. 29-30; Ef 1. 5,11), em contraste com aqueles que, por fim, serão condenados ao julgamento eterno. No entanto, muitos ressaltam que as Escrituras também atribuem a Deus uma decisão prévia quanto àqueles que, em última análise, não são salvos (Rm. 9. 6-29; 1Pe 2. 8; Jd 4). Ademais, ao predestinar alguns para a salvação, Deus necessariamente destina o restante à destruição. Diante desses fatos, tornou-se comum em vários círculos definir a predestinação por Deus de modo a incluir tanto a decisão de salvar alguns do pecado (eleição), quanto sua decisão de condenar o restante pelo seu pecado (reprovação). É difícil negar categoricamente que as Escrituras ensinam um tipo de predestinação à salvação, uma vez que o termo agrego proorizo aparece nas Escrituras, (veja acima). Não obstante, as tradições cristãs diferem quanto ao critério de Deus para sua decisão de predestinar alguns, mas não outros, à vida eterna. Vários ramos da igreja falam de predestinação (ou eleição) com base na presciência de Deus a cerca da fé de certos indivíduos. Supõem que Deus sabia de antemão que certas pessoas escolheriam, por sua própria vontade, aceitar a Cristo como seu Salvador ao ouvir o evangelho e concluem que, com base nisso, Deus predestinou tais, pessoas à salvação. Nesse sentido, a presciência é uma previsão divina passiva acerca daquilo que os indivíduos escolherão fazer por sua livre e espontânea vontade, sem a intervenção de Deus. Assim, Deus predetermina o destino dessas pessoas em resposta àquilo que ele sabe que ocorrera. No entanto os teólogos reformados ressaltam que o termo proginosko, traduzido como “de antemão conheceu” em Rm 8. 29 e 11.2 significa “de antemão amou” e “de antemão reconheceu” (cf. 1Pe 1.20, onde proginosko é traduzido como “conhecido…antes”). Passagens como essas deixam claro que proginosko expressa presciência em relação a uma pessoa, e não apenas a fatos do futuro ou às escolhas que alguém fará ao longo da vida. Na verdade, o Novo Testamento ensina que Deus elegeu com base em sua afeição e amor prévio por aqueles aos quais deu a vida eterna. Ademais, uma vez que todas as pessoas se encontram naturalmente mortas no pecado (ou seja, separadas da vida de Deus e indiferentes a ele), ninguém que ouve o evangelho pode se arrepender e aceitar a salvação pela fé sem o despertamento interior que somente Deus pode conceder (Ef 2. 4-10). Jesus disse,”ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido” (Jo 6. 65; cf Jo 6. 44; 10. 25-28). Se Deus olhar para o futuro a fim de ver as escolhas que faremos por nossa própria conta, não verá outra coisa senão a nossa rejeição total do evangelho. Os pecadores escolhem Cristo somente porque Deus os escolhe e conduz a essa decisão ao renovar o coração deles. A doutrina da predestinação pode ser usada indevidamente para apoiar várias formas de fatalismo. No entanto, não é esse o propósito do ensinamento das Escrituras. Antes, as Escrituras repudiam o fatalismo ensinando que as nossas escolhas e decisões são importantes, pois foram preordenadas como meio que Deus usa para alcançar os seus propósitos (p. ex., Fp 2.12 -13). As Escrituras não ensinam a predestinação para incentivar o fatalismo, mas para dar aos cristãos a certeza da vida eterna, uma vez que estão Cristo. A predestinação assegura os salvos da fidelidade de Deus e da certeza de nosso destino eterno em Cristo. Não precisamos temer, pois ninguém poderá nos arrebatar da sua mão (Jo 10.28). CB 16; CD 1. Bíblia de Genebra

Imagem extraída da internet sem fins de propriedade particular

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