Jesus Cristo Joseval Oliveira

É TUDO SOBRE JESUS – Cristo revelado e anunciado no Antigo Testamento

O DESCENDENTE DA MULHER

Gênesis 3.15

INTRODUÇÃO

“É tudo sobre Jesus.” Essa afirmação é muito comum e expressa algo que está em perfeita harmonia com o que a Bíblia ensina a respeito da pessoa e obra de Cristo. Apesar disso, é comum não pensarmos de modo apropriado sobre a real extensão dessa afirmação. Isso é revelado em nossa dificuldade de ler o Antigo Testamento. Nossa leitura em grande parte é moralista, buscando encontrar apenas lições para os nossos assuntos cotidianos. Temos enorme dificuldade em olhar para o Antigo Testamento e nele enxergar a revelação acerca de Cristo. Com isso, os personagens bíblicos acabam servindo apenas para nos ensinar o que fazer ou o que evitar. A pessoa de Cristo é anunciada não apenas em algumas porções isoladas, mas em todas as escrituras do Antigo Testamento. Logo nas primeiras páginas, ela é revelada no relato da Criação e da Queda.

I – A PROMESSA DO DESCENDENTE

Adão e Eva desobedeceram a Deus (v. 6) e a queda deles foi vergonhosa. Como consequência, a voz de Deus, outrora tão doce aos seus ouvidos, agora provocava medo, terror (v. 10). Logo após nossos pais terem comido o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, o Senhor vem em busca deles (v. 8-9). O Senhor confronta Adão e obtém uma espécie de confissão, envolvida em uma denúncia, na qual ele aponta a sua esposa como a responsável pela sua transgressão (v. 12). O Senhor se volta para Eva e a ouve também transferir a culpa para a serpente (v. 13). É interessante a maneira como o Senhor aborda a serpente. Diferentemente de como tratou Adão e Eva, ele não faz nenhuma pergunta à serpente. O Senhor tem a dimensão exata, o conhecimento perfeito do que ocorreu. Ele sabe que aquele animal foi usado por Satanás, o seu inimigo. Por essa razão, o Senhor não dá à serpente a chance de argumentar nada em sua defesa (v. 14). E é justamente quando confronta a serpente e a amaldiçoa que Deus faz a sua primeira promessa redentiva: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (v. 15). O primeiro detalhe a ser observado aqui é que enquanto as palavras do versículo anterior são dirigidas diretamente à serpente, as palavras do versículo 15 são dirigidas a Satanás. E de maneira também diferente de como trata o homem e a mulher, Deus não suaviza as maldições sobre Satanás. A maldição sobre ele, de acordo com Gerard Van Groningen, é absoluta: “Satanás teria sua cabeça esmagada; ele seria completamente dominado, derrotado e feito impotente”. Todavia, o elemento mais importante nas palavras dirigidas à serpente/ Satanás é a referência ao descendente da mulher. Temos aqui o que é conhecido como o protoevangelho, a primeira promessa evangélica, o primeiro anúncio do evangelho no Antigo Testamento. A inimizade entre a mulher e a serpente também se estenderia às suas respectivas descendências. Em relação à mulher, Deus fala de um descendente específico. E é interessante a maneira como Eva atentou para as palavras de Deus, pois no capítulo seguinte, ao dar à luz a Caim, ela diz: “Adquiri um varão com o auxílio do SENHOR” (4.1). É possível que ela tenha imaginado que aquela criança era o descendente prometido em 3.15. A expressão final do verso também pode ser traduzida como: “Adquiri um varão, a saber, o SENHOR”, expressando a esperança de Eva em relação ao seu filho. Infelizmente, suas esperanças em relação a Caim, posteriormente, se mostraram equivocadas. Em sua promessa o Senhor diz que o descendente da mulher esmagaria a cabeça da serpente, e a serpente lhe feriria o calcanhar. A história da redenção mostra como Satanás e os seus sempre intentaram destruir a semente da mulher. Foi assim com o assassinato de Abel por Caim (Gn 4.3-8), com o decreto de Faraó em relação aos bebês israelitas (Êx 1.15-22) e com a hostilidade das nações pagãs contra Israel. Em todos esses episódios podemos ver a inimizade estabelecida por Deus entre a serpente e a mulher, entre a descendência da serpente e o descendente da mulher. Além disso, em Gênesis 3.15 também contemplamos a promessa da derrota final de Satanás. O descendente da mulher “ venceria e anularia o dano causado pela serpente, as consequências da Queda e seus efeitos”. Aqui, nós temos o anúncio de uma grande vitória para um dos lados, ao mesmo tempo em que temos a proclamação de uma completa derrota e profunda humilhação para o lado que será golpeado na cabeça. Com essa promessa, “o cenário estava pronto para a vinda de uma pessoa real” , que executaria uma grandiosa tarefa e, desse modo, obteria uma vitória em favor de outros, restaurando aquilo que foi arruinado pelo pecado de Adão e Eva.

II- A PROMESSA CUMPRIDA EM JESUS

A promessa messiânica de Gênesis 3.15 foi cumprida quando Jesus, na plenitude do tempo e nascido de uma mulher, tomou o lugar de Adão, triunfou sobre a tentação do diabo (Mt 1.11; Mc 1.12-13; LC 4.1-13), expulsou demônios, curou os enfermos, morreu na cruz a fim de expiar o pecado e derrotou a morte por meio da sua ressurreição. Nas áreas em que Adão foi tentado, Jesus também o foi. Tanto a tentação no Éden como a tentação no deserto da Judeia envolveram um alimento (o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e pão), distorção daquilo que Deus havia dito (Gn 3.1 ; Mt 4.6) e a falsa promessa de glorificação (ser igual a Deus e receber toda a autoridade sem precisar trilhar o caminho da humilhação, do sofrimento e da morte). Ocorre que, enquanto Adão foi tentado num belo e harmonioso jardim, Jesus foi tentado no pior cenário possível, num deserto símbolo de toda a degradação causada pela entrada do pecado no mundo. Além disso, onde Adão caiu e fracassou, Jesus se manteve de pé e venceu. Ele permaneceu completamente fiel à palavra de seu Pai. Na derrota da serpente Jesus cancelou o escrito de dívida que era contra nós e, ” […] despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (Cl 2.14-15). Como resultado da obra do descendente da mulher, o Filho de Deus encarnado, “[…] foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e com ele, os seus anjos” (Ap 12.9). Em Gênesis 3.15 foi anunciado que as consequências do pecado seriam remediadas pelo descendente da mulher. Quando esse descendente veio, isso foi demonstrado por intermédio das suas constantes vitórias sobre os demônios, na prisão de Satanás, bem como por meio do seu triunfo sobre a morte e o pecado. Mesmo as maldições que Deus imprecou sobre a humanidade também foram mitigadas por meio da obra de Cristo. Sobre isso, as palavras de Robert Letham são extraordinárias: “O fatigante trabalho foi transformado em trabalho frutífero, que produz a trinta, sessenta e a cem por um (Mt 13.1-23). As dores de parto (Gn 3.16) passaram a ser meios pelos quais a libertação final viria, por intermédio do pacto com Abraão e sua descendência, do nascimento do Filho encarnado na bendita virgem e da criação fiel de filhos da aliança” . Deus fez uma única promessa a Adão e Eva, no Éden. Ele não lhes forneceu todos os detalhes. Muita coisa ainda ficou oculta deles e de seus descendentes, que foi revelada gradualmente, ao longo de uma história cheia de percalços na qual ficou evidente que o pecado do ser humano estava ativo. No Éden, Deus deixou em oculto a plena identidade daquele que nasceria da mulher e esmagaria, em definitivo, a cabeça da serpente. O ponto a ser destacado é que, em Gênesis 3.15, Deus promete que um membro da raça humana derrotará Satanás, desfazendo, em todo o cosmos, o que o pecado provocou. O que se segue a partir de Gênesis 3.15 é a saga, a história da poderosa salvação de Deus em seu Filho, o descendente da mulher.

CONCLUSÃO

A importância da narrativa de Gênesis 3.15 para a nossa vida está em seu caráter pactual (representativo). Algumas pessoas costumam afirmar que não possuem qualquer relação com o pecado de Adão, afinal de contas, não estavam no Éden e, por essa razão, não podem ser responsabilizadas. Esse tipo de raciocínio é perigoso, pois, sustentado de modo coerente, fará com que aquele que o emite também não possa ser identificado com o descendente da mulher, o Senhor Jesus, que desfez aquilo que foi feito por Adão e, acima de tudo, triunfou sobre a serpente/Satanás, ferindo mortalmente a sua cabeça e realizando a salvação. Não temos escolha: fomos representados por Adão no Éden. Graças a Deus, também não temos escolha: fomos representados pelo descendente da mulher, Jesus Cristo, em sua vida de obediência e em sua morte vicária.

APLICAÇÃO

Como anda a sua leitura do Antigo Testamento? Você o vê como um simples repositório de narrativas de cunho moralista, histórias inspiradoras, ou como a revelação da maneira que Deus executou o seu plano de trazer o descendente da mulher, que nos salvou dos nossos pecados? Você consegue perceber que, no Antigo Testamento, tudo, de fato, é sobre Jesus?

Fonte: Expressão – Revista do aluno – Currículo Cultura Cristã

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1 Comentário

  1. AffiliateLabz disse:

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